O corpo, a banalização e a nova playboy

 

Recentemente circularam algumas notícias sobre mudanças editoriais da famosa Revista Playboy. A mais popular revista masculina exibia mulheres nuas, muitas delas famosas, e gerava um número astronômico de vendas. Os altíssimos valores pagos às modelos para exporem seus corpos eram multiplicados na conta bancária de seu idealizador Hugh Hefner. Fundada em 1953, a Playboy popularizou a nudez feminina. Muitos homens viram uma mulher nua pela primeira vez através da revista. As mulheres eram postas nas vitrines das bancas de jornal, ou entregues pelo correio, e assim a nudez se transformou em fenômeno de massa. O que não era de fácil acesso aos olhos dos homens estava mais próximo do que nunca e em versões variadas a cada mês.

Naturalmente, a beleza do corpo feminino atrai a visão do homem. A beleza do corpo humano reflete a beleza de seu criador. O próprio Cristo, ao se encarnar em um corpo, evidencia a sua sacralidade. O corpo humano é sagrado e o fato de o conservarmos cobertos não é simplesmente para escondê-lo, mas uma demonstração do zelo que se tem por aquilo que é Sagrado. Como o Santíssimo Sacramento é guardado dentro de um digno sacrário e somente é exposto por ministro devidamente ordenado, o corpo humano deve dispor de vestes dignas de sua sacralidade e ser revelado a quem lhe é devido: marido e mulher.

A principal mudança da revista americana é exatamente não publicar mais fotos de mulheres nuas. Essa nova linha deriva de uma queda gigantesca das cifras da empresa que vendia mais de cinco milhões de cópias na década de 70 e atualmente não passa dos 800 mil. Segundo o presidente executivo da Playboy: “Você agora está a um clique de distância de cada ato sexual imaginável, de graça”. Ele se refere à facilidade que se tem hoje de acessar materiais pornográficos na era da banda larga. Ou seja, a massificação da nudez hoje já perde espaço para a massificação da pornografia. É o sintoma claro da banalização do corpo e sexualidade humana.

O fim último do homem é Deus. Todos os outros fins derivam deste fim. Explicando de forma mais simples, o maior desejo do homem é o desejo por Deus e todos os demais desejos derivam deste primeiro. Os prazeres, as vontades, derivam da minha busca pela felicidade perfeita que encontraremos na presença de Deus. Quando o homem é atraído por uma mulher, não somente por seu corpo, e se une a ela em matrimônio, ele atende a um desejo de seu coração colocado por Deus para ser encontrado pelo ser humano. Quando tentamos saciar um desejo com aquilo que não foi feito para saciá-lo acabamos nos enganando e no fim temos a sensação de que esse desejo aumentou. É como matar a sede com suco. O suco refresca, é gostoso, mas o verdadeiro objeto da sede é a água, somente ela saciará. Podemos dizer que a indústria pornográfica é uma tentativa de saciar a sede com suco. E nem é aquele suco natural, de fruta, de qualidade, mas aquele barato, que um saquinho pequeno rende 20 litros. Banalização gera mais banalização. Temo o dia em que o homem tentará saciar sua sede com sal. Não seria essa a causa da sede incontrolável de muitas pessoas?

Deixe um comentário